Alors, comme je suis assez fier de ce petit texte en anglais qui s'appelle SHORE LEAVE (et que j'ai une légère obsession pour la langue portugaise, l'apprentissage et la maîtrise de cette dernière), je me suis amusé à le traduire. Version originale ici: sainthenri.blogspot.com/2009/09/shore-leave.html. Le texte portugais a été lu et révisé par mon ami Adolpho. Il m'a aidé à uniformiser le langage et à conjuguer correctement mes subjonctifs. Je suis content parce qu'il m'a dit, en lisant ma traduction pour la première fois, c'est excellent, il reste à paufiner (aparar as arestas...).
LA PONCTUATION EST VOLONTAIRE. Comme disait Clarice Lispector à ses correcteurs au Journal du Brésil: "Agora um pedido: não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
Para Adolpho Faria
O Grande Romancista Americano entrou no bar e disse eu não vou tirar minhas botas. E então disse dá-me um scotch do Velho Mundo mas não me diga a idade dele porque não me importa não. O Grande Romancista Americano disse que ele era a Coisa Nova. O que é essa Coisa Nova eles perguntaram. É essa Coisa que não envelhece falou ele e tocou seu revólver. Disseram essa Coisa Nova tem que ser jovem e ele disse não mas tem que ser permanente. O barista serviu-lhe uma dose de scotch do Velho Mundo e o Grande Romancista Americano bebeu-a num grande gole. Ele disse dá-me mais um. Um dos clientes perguntou numa nuvem de fumaça por que ele falara aquela coisa das botas quando ele chegara e o Grande Romancista Americano disse que se sentia em casa e que não queria se comportar como um convidado. Disse que este lugar era seu porque ele estava aqui. O barista serviu-lhe mais uma dose de scotch cor de mel e o Grande Romancista Americano ergueu o copo e bebeu o líquido com grande concentração. Então tocou seu revólver mais uma vez e disse eu te respondi porém isso não quer dizer que a pergunta não tenha sido estúpida. E então disse na verdade acho que a próxima coisa que você dirá será uma besteira. Ele disse que besteiras o incomodavam demais e que não havia tempo para elas. Disse ao barista esse scotch é bom eles sabem fazer um bom scotch eles só não sabem escrever. Disse dá-me mais um e virou sua cabeça para a nuvem de fumaça. Disse fala logo. Disse não seja um covarde. O cliente na sua nuvem de fumaça disse não sou não. Disse eu só sou um cara normal. Disse não é covardia parar de falar com o senhor depois de o senhor ter me insultado. O Grande Romancista Americano respondeu que a covardia dele não tinha nada a ver com o fato de ter sido insultado ou não e que a covardia dele era fundamental e que ela tinha atravessado o mar com ele. Ele disse embora você não seja um covarde neste momento você o é essa é a sua definição. O barista serviu-lhe uma terceira dose de scotch do Velho Mundo e ele pegou o copo e olhou para ele como se tentasse compreender o sentido da cor. O cliente na sua nuvem de fumaça disse eu li seu livro. O Grande Romancista Americano disse todo o mundo leu meu livro. E então bebeu o scotch e bateu o copo sobre o balcão e tocou seu revólver. Disse eles o leram na Europa embora todos os Europeus sejam covardes nojentos como você o senhor teria que sabê-lo pois não é diferente. Disse isso com a mão no revólver e então disse ao barista que tal deixar a garrafa rapaz. O barista pegou a garrafa de scotch na prateleira e a botou sobre o balcão ao lado dum copo vazio. O Grande Romancista Americano serviu sua bebida e a engoliu com grande seriedade e então tomou seu revólver e atirou no centro da nuvem de fumaça. Disse que não tinha tempo para gastar com spicks e micks e polacks e kikes e niggers porque ele os tinha todos em si. Disse isso muito sério e então disse alguma coisa sobre ser a Coisa Nova e sobre Pintar a Cidade de Vermelho mas eu não pude ouvir nada porque minha mente estava indo rápido demais. Todo o mundo estava correndo para fora. Havia um caos no bar. Eu tinha o Grande Romance Americano na minha mochila e logo que tentei abrir caminho entre as mesas e as moças para fugir senti um frio na espinha. Eu soube que o Grande Romancista Americano tinha atirado em mim porque de repente o silêncio caiu. Ele disse mesmo depois de quatro copos ainda sou mais rápido que um Apache. Fingi-me de morto pois sabia que a bala estava no livro. Tinha ficado presa bem profundo nas suas oitocentos e cinquenta e nove exaustivas páginas.
LA PONCTUATION EST VOLONTAIRE. Comme disait Clarice Lispector à ses correcteurs au Journal du Brésil: "Agora um pedido: não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
Para Adolpho Faria
O Grande Romancista Americano entrou no bar e disse eu não vou tirar minhas botas. E então disse dá-me um scotch do Velho Mundo mas não me diga a idade dele porque não me importa não. O Grande Romancista Americano disse que ele era a Coisa Nova. O que é essa Coisa Nova eles perguntaram. É essa Coisa que não envelhece falou ele e tocou seu revólver. Disseram essa Coisa Nova tem que ser jovem e ele disse não mas tem que ser permanente. O barista serviu-lhe uma dose de scotch do Velho Mundo e o Grande Romancista Americano bebeu-a num grande gole. Ele disse dá-me mais um. Um dos clientes perguntou numa nuvem de fumaça por que ele falara aquela coisa das botas quando ele chegara e o Grande Romancista Americano disse que se sentia em casa e que não queria se comportar como um convidado. Disse que este lugar era seu porque ele estava aqui. O barista serviu-lhe mais uma dose de scotch cor de mel e o Grande Romancista Americano ergueu o copo e bebeu o líquido com grande concentração. Então tocou seu revólver mais uma vez e disse eu te respondi porém isso não quer dizer que a pergunta não tenha sido estúpida. E então disse na verdade acho que a próxima coisa que você dirá será uma besteira. Ele disse que besteiras o incomodavam demais e que não havia tempo para elas. Disse ao barista esse scotch é bom eles sabem fazer um bom scotch eles só não sabem escrever. Disse dá-me mais um e virou sua cabeça para a nuvem de fumaça. Disse fala logo. Disse não seja um covarde. O cliente na sua nuvem de fumaça disse não sou não. Disse eu só sou um cara normal. Disse não é covardia parar de falar com o senhor depois de o senhor ter me insultado. O Grande Romancista Americano respondeu que a covardia dele não tinha nada a ver com o fato de ter sido insultado ou não e que a covardia dele era fundamental e que ela tinha atravessado o mar com ele. Ele disse embora você não seja um covarde neste momento você o é essa é a sua definição. O barista serviu-lhe uma terceira dose de scotch do Velho Mundo e ele pegou o copo e olhou para ele como se tentasse compreender o sentido da cor. O cliente na sua nuvem de fumaça disse eu li seu livro. O Grande Romancista Americano disse todo o mundo leu meu livro. E então bebeu o scotch e bateu o copo sobre o balcão e tocou seu revólver. Disse eles o leram na Europa embora todos os Europeus sejam covardes nojentos como você o senhor teria que sabê-lo pois não é diferente. Disse isso com a mão no revólver e então disse ao barista que tal deixar a garrafa rapaz. O barista pegou a garrafa de scotch na prateleira e a botou sobre o balcão ao lado dum copo vazio. O Grande Romancista Americano serviu sua bebida e a engoliu com grande seriedade e então tomou seu revólver e atirou no centro da nuvem de fumaça. Disse que não tinha tempo para gastar com spicks e micks e polacks e kikes e niggers porque ele os tinha todos em si. Disse isso muito sério e então disse alguma coisa sobre ser a Coisa Nova e sobre Pintar a Cidade de Vermelho mas eu não pude ouvir nada porque minha mente estava indo rápido demais. Todo o mundo estava correndo para fora. Havia um caos no bar. Eu tinha o Grande Romance Americano na minha mochila e logo que tentei abrir caminho entre as mesas e as moças para fugir senti um frio na espinha. Eu soube que o Grande Romancista Americano tinha atirado em mim porque de repente o silêncio caiu. Ele disse mesmo depois de quatro copos ainda sou mais rápido que um Apache. Fingi-me de morto pois sabia que a bala estava no livro. Tinha ficado presa bem profundo nas suas oitocentos e cinquenta e nove exaustivas páginas.
Fiquei orgulhoso pela dedicatoria, mas eu so "aparei as arestas". Obrigado.
RépondreSupprimerParabéns! É assim que se começa!! Que orgulho!!
RépondreSupprimerbjos
Uau! Você é incrivelmente bom como eu nunca serei em Francês! Parabéns! eu
RépondreSupprimerSe começaste assim com Clarice, chegarás em breve em Guimarães Rosa!
RépondreSupprimerParabéns
J'vais dire comme eux: ça "para' ben" ton affaire.
RépondreSupprimerque legal dani!! parabens mesmo!!!!! to contente pelo seu progresso!!! :)
RépondreSupprimerFala Daniel, tudo bem?
RépondreSupprimerExcelente texto, vc esta pegando rapido! continue assim!
Abs,
Vidal
Decidiste deixar o termo "barista" mesmo nao sendo o sentido vinculado ao café??
RépondreSupprimercoloca uma nota de rodapé como "licensa poética". ;o) Já resolve!
ooopsss... anglicismo, licença
RépondreSupprimerGostei Danny Boy, gostei bastante.
RépondreSupprimerO proximo passo é traduzir Mathilde en dernier em português.
abs
Guga