Mais uma vez te invoquei por meio duma escrita alheia. Quis te beijar em frente do mundo inteiro pra te provar a imensidão do meu amor, mas a sua cara se escondeu no escuro da multidão. Perdi o olhar. Te busquei em vão e fiquei em pé no meio de uma vaidade impessoal, num eco eterno e circular de fala imprópria. Apesar de tudo te procurei. Tinha ao meu redor tantas pessoas sem fisionomia, sem destaque, que podia sentir sua presença como se fosse alguma coisa invisível à qual a gente se ata desesperadamente. A mera ausência de você me parecia subitamente a prova indiscutível da sua proximidade. Persegui essa ausência até me tornar um prisoneiro do sentido de falta. O que descobri nele não foi a saudade em si, que existe, mas a solidão encerrada numa palavra vazia.
"O que descobri nele não foi a saudade mesma, que existe, mas a solidão encerrada numa palavra vazia."
RépondreSupprimerC'est beau, ça.
N'est-ce pas.
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